Em meio à crise política, CBF anuncia afastamento de Rogerio Caboclo da presidência da instituição

Após denúncia de assédio sexual, Comissão de Ética afasta Caboclo por pelo menos 30 dias
Na noite de domingo, dia 6, a Comissão de ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu pelo afastamento de Rogério Caboclo da presidência pelos próximos 30 dias, após denúncia de assédio sexual.
De acordo com o Código de Ética da CBF, as investigações devem começar um dia depois do afastamento, portanto, na segunda-feira (7). Caboclo será investigado por duas comissões distintas de membros da entidade.
Com o afastamento de Rogério Caboclo, o vice-presidente a assumir é Antônio Carlos Nunes, figura bem conhecida no futebol nordestino. O Coronel Nunes, como é conhecido, fica no cargo pelos próximos 30 dias até que se decida a sentença de Caboclo.

Rogério Caboclo (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Copa América
O afastamento ocorre em meio a uma crise institucional sem precedentes, nos últimos dias a CBF esteve envolvida nas negociações junto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o recebimento da Copa América, competição que foi rejeitada por Argentina e Colômbia. A polêmica em torno da realização do torneio fica por conta do alto número de casos de Covid-19 no país, o Brasil tem sofrido com a alto índice de mortes, batendo a marca de 486 mil mortos pelo novo coronavírus, de acordo com dados das secretarias de saúde.
A instabilidade organizacional ocorre também por uma possível interferência política, já que foi prometido ao presidente Jair Bolsonaro a demissão de Tite do comando técnico da seleção, o nome sugerido foi o de Renato Gaúcho. A interferência política na CBF pode gerar sérios danos ao futebol nacional, a seleção brasileira corre o risco de ficar fora da Copa do Mundo de 2022 caso a interferência de fato aconteça, isso de acordo com as regras da FIFA, órgão que regulamenta o futebol mundial.
Histórico de corrupção
Não é a primeira vez que a CBF e seus mandatários estão nos holofotes, os últimos presidentes da organização foram afastados por escândalos. Conheça os antecessores de Rogério Caboclo que também foram afastados do cargo.
João Havelange, 1958 a 1975, considerado um dos cartolas mais poderosos da história do futebol, deixou a entidade após diversos casos de corrupção e ao deixar o comando do futebol nacional para seu genro, Ricardo Teixeira.
Ricardo Teixeira, 1989 a 2012 é genro de Havelange, Teixeira foi expulso do futebol depois de ser acusado de receber propinas de mais de R$ 30 milhões de reais provenientes da venda de competições sul-americanas, além da acusação de receber suborno para votar no Catar como sede da Copa de 2022.
José Maria Marin, 2012 a 2015. Marin teve participação em esquemas de milionários de marketing esportivo e em troca de direitos de transmissão de competições esportivas. O dirigente foi pego no esquema de corrupção chamado “FIFA Gate” que resultou na queda do presidente da FIFA, Joseph Blater e de diversos outros dirigentes internacionais, resultando em uma prisão de seis meses na Suíça em investigação do FBI.
Marco Polo Del Nero, 2015 a 2017. Banido do futebol, Del Nero tem influência na gestão atual da CBF e estava envolvido no “Fifa Gate” de seu antecessor Marin. Além disso, Del Nero tem ligações com Caboclo que foi afastado do cargo, Caboclo só consegui se eleger com o apoio de seu antecessor que está banido do futebol.
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